Caminhe pelo deserto à noite com uma lanterna UV e poderá testemunhar algo extraordinário. Pequenas formas azul-esverdeadas aparecem subitamente no chão.
São escorpiões.
Ao contrário dos pirilampos, os escorpiões não produzem a sua própria luz. Em vez disso, brilham através de um processo chamado fluorescência, um dos mistérios mais fascinantes do reino animal.
Fluorescência, não bioluminescência
Quando a luz ultravioleta (UV) atinge a carapaça dura de um escorpião, substâncias químicas especiais no seu exoesqueleto absorvem os raios invisíveis e reemitem-nos instantaneamente como um brilho azul-esverdeado intenso.
Sem luz UV, o brilho desaparece completamente.
Os cientistas descobriram que quase todas as espécies de escorpião conhecidas partilham esta capacidade invulgar. Os compostos fluorescentes desenvolvem-se após cada muda, tornando-se parte do exoesqueleto endurecido.
Porque é que os escorpiões brilham?
Apesar de décadas de investigação, ninguém sabe a resposta exacta.
Alguns cientistas acreditam que o brilho ajuda os escorpiões a detetar a luz da lua e a decidir quando é seguro sair dos seus abrigos. Outros sugerem que pode oferecer proteção contra a radiação ultravioleta prejudicial. Outra teoria é que a fluorescência é simplesmente um subproduto de substâncias químicas que fortalecem o exoesqueleto.
Até ao momento, nenhuma destas explicações foi comprovada.
Um mistério que se mantém até hoje
Embora o propósito da fluorescência permaneça desconhecido, tornou-se uma ferramenta inestimável para os investigadores. Com uma simples lanterna UV, os cientistas podem localizar facilmente os escorpiões durante os levantamentos de campo noturnos, permitindo-lhes estudar estes predadores discretos sem perturbar o seu comportamento natural.
Mais de 400 milhões de anos depois do aparecimento dos primeiros escorpiões na Terra, estes continuam a surpreender-nos. O seu brilho misterioso é um lembrete de que até alguns dos animais mais antigos do planeta ainda guardam segredos à espera de serem descobertos.